terça-feira, 6 de março de 2012

"A MINHA DOR"

   



A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural!


Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no decorrer dos dias.....    
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios
Tão belos como nunca os viu ninguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve...ninguém vê...ninguém...




                             
                      Florbela Espanca (Livro de Mágoas-1919)





sábado, 3 de março de 2012

"AS ILHAS DE PEDRA" da BAÍA DE HALONG



"No Oriente diz-se que a Indochina é senhora de três maravilhas:  as ruínas de ANGKOR, os tumulos imperiais de Hué e a Baía de Along. Já vimos as duas primeiras, vamos agora contemplar a ultima . Lá em baixo, na nossa frente, a Baía de Along. Da grande toalha de água esmeraldina, serena como a dum lago, irrompem centenas, milhares talvez, de pequeninas  ilhas, altos rochedos de caprichosas formas, de fantásticos perfis e cobertas de rala vegetação. Entre essas minusculas ilhas, juncos chineses abrem as suas austeras velas. Não se vê de parte alguma o mar largo. Só se divisam ilhas, umas semelham obeliscos , outras lembram torres, aquelas recordam falos, outras apresentam-se como rudes cabeças humanas, queloutras imitam corpos pré-históricos. Simples rochedos revestidos de arbustos, entregando ao sol a sua capa verde, um arquipelago fantasmagórico"
                                              (Ferreira de Castro - "A Volta Ao Mundo" - 1944)







As ilhas de pedra nascem do mar,
o local é divino, esconde histórias de encantar,
 os barcos navegam em silêncio,
os turistas suspiram,
há já sonhos no ar!





Os locais vêem visitar,
vendem frutos, peixes, pérolas e eu sei lá o que mais,                      
nós recusamos,
só queremos aquela mulher de  mascara branca,
que  vem à janela,
ela faz gestos, não sabe falar,
mas posa e deixa-se fotografar......
É a luta pela vida de quem nada tem para dar.....
um cacho de bananas, uma laranja
não querem comprar?
A emoção cresce no coração,
um nó na garganta aperta.
Naquela janela aberta.
Uma lágrima se solta, meus olhos não vêem,
mas sentem.........


e o barco sempre a navegar.......a navegar.......
entre o azul do céu e o verde do mar.............
até que pára à beira dum cais,
vamos ver  as grutas e já se ouvem os ais .....
vamos desembarcar!

"A MORADA DOS DEUSES"


Entrámos então naquela morada,
pelos Deuses decorada,
esculturas, fantasmas, palhaços
estendem os braços,


imaginação, ilusão ou só impressão??       



   São monstros marinhos,
  aves gigantes, ou são só  ninhos?
  Sou Alice, no País das Maravilhas,
  quero saír, quero ficar,
   já estou presa áquele fascínio,
  à magia daquele lugar,
  donde não mais quero voltar!

"Á tarde visitamos a caverna das Surpresas e a caverna das Maravilhas,  grutas naturais de onde  por entre as estalactites se descortinam as sucessivas ilhas da Baía de Along, um mundo de configurações impressionantes. Para os próprios chineses isto  era tão estranho, que a sua mitologia  indica este singular arquipélago como sendo a residência do Dragão do Mar!"  (Ferreira de Castro) 







































sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

OS GUARIBAS VERMELHOS DA AMAZÓNIA - Macacos uivadores- Alouatta


mãe guariba
São os primatas do novo mundo  - focinho curto, narinas largas, cauda comprida, pelo longo vermelho.....

Vivem em grupo familiar e são conhecidos pela sua vocalização, que pode ser ouvida a 5kms ou mais.....
"......são lentos, mas extremamente cautelosos, quasi não fazem barulho, excepto quando se reúnem para uivar, movem-se entre as árvores vergando os galhos frágeis e lançam-se de um tronco para outro com gracioza elegancia...." Airton Ortiz (Travessia da Amazónia)

A palavra GUARIBA deriva da língua dos índios tupi-guarani - guariba quer dizer "chefe dos uivadores"

Já  perto da nossa partida da selva ouvimos um burburinho gritante na follhagem. Cercámos a "casa do Tarzan", cabana de madeira em cima da copa duma árvore, onde a familia dos guaribas se havia empoleirado e aguardámos a descida deles. O nosso guia veio a correr com as mãos cheias de mangas, chamou-os e  eles  não se fizeram esperar, o "chefão" veio à frente. Com a sua juba vermelha, uma cicatriz, mais uma dentada, a deformar-lhe o lábio superior, os olhos arregalados, de fúria, como se preparasse para o ataque.......
mais parecia um leão enfurecido, quando escorregou pelo tronco da  árvore gigantesca e veio ao nosso encontro.


Olhou para nós com ar de desprezo, a sua superioridade demonstrava a sua força, amedrontados, recuámos.
Agarrou com a enorme manápula peluda uma manga, sentou-se, acalmou e ali ficou comendo deliciado. Como por encanto a sua atitude mudara, parecia dócil, inofensivo, com a enorme barba ruiva salpicada de sumo de manga, mal olhava para nós, agora indiferente à nossa presença mais próxima, deixou-se fotografar e parecia comunicar  com o olhar, como se já fossemos "amigos"......


Depois desceu a fêmea,.a mãe-guariba com a  sua cria, "um bébé", de cara aterrorizada, agarrada ao seu dorso, mais parecia um bonequinho feio......também ela  se agarrou a uma manga........
chupava e esticava a fibra como pastilha elástica, fazia boquinhas para a nossa objectiva, como um modelo, cheia de pose; eu estava fascinada.......











O bugio-ruivo, também assim chamado, habita as florestas do Brasil. O desmatamento da Amazónia ameaça a sobrevivência destes animais, pela retirada da vegetação, pois restringe os seus ambientes.
Para nós, ver e conviver de perto e  fotografar estes belos espécimes, como se fizéssemos  parte integrante do seu reino foi   o momento alto da nosssa visita, partilhar as suas reacções, tentar entender o seu comportamento fez-nos esquecer a hora da  partida e que já o barco com as nossas malas nos esperava à beira-rio....não conseguiamos despedir-nos.... veio à minha memória a vida de Dian Fossey,uma mulher forte  e carismática que viveu nas montanhas dos gorilas em África! Ela viveu com eles, estudou-os a fundo, imitava os seus gestos, comia as mesmas folhas que eles comiam, dormia com eles, deixava-se acariciar, apaixonou-se perdidamente ...e morreu para os defender, por querer evitar que matassem os gorilas por dinheiro. Foi assassinada barbaramente na sua cabana em 1985, pouco tempo após ter publicado o seu livro "best seller" "Gorilas na Bruma" . Morreu pela sua  causa e  deixou ao mundo referencias importantes sobre o seu trabalho com os primatas.



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A PREGUIÇA DA AMAZÓNIA

  

PREGUIÇA REAL




Lânguida e sensual   
é a  preguiça real 
indolente            
mexe-se lentamente 
e agarra o ramo,
meia-volta no ar,
deixa-se caír
balança o corpo
como um fardo morto,
atleta de fazer inveja,
toda abandonada,
as garras afiadas,
coça a cabeça,
geme de prazer,
deliciada!.......  

 Usa casaco de peles a preguiça malhada, tem garras longas e afiadas.
 É a acrobata  da selva,
 os ramos são seu trapézio, move-se sem rede, pendura-se pelos pés, 
 cabeça para baixo, 
 fica suspensa, toda ela  é leveza no ar, uma beleza que fascina e diverte. provoca o riso
 a quem a olha.... mas quando "a preguiça"entra na pele,
é moléstia pela certa!


PREGUIÇA CRIANÇA

Pendurada e aninhada,
como no ventre materno,                       
tem um ar envergonhado,
olhos grandes e rasgados
mas não vê nada,
ouve mal,
tem nariz pequeno
e arrebitado
mas olfacto apurado.
Tem força,
agarra o ramo,
parece adulta,
 mas ainda é criança......





       
Fotografia e texto: Helena afonso

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O SOL E A MAJESTOSA SELVA AMAZÓNICA


A SELVA - "Eu devia este livro a essa majestade, soberba e enigmática, que é a SELVA AMAZÓNICA, pelo muito que nela sofri durante os primeiros anos da minha adolescência e  pela coragem que me deu para o resto da vida" - assim fala Ferreira de Castro, escritor português, quando inicia a escrita da sua obra prima - A SELVA - nasceu em 1898 e morreu em 1974, foi o grande precursor do neo-realismo.  A Selva é um dos livros mais traduzidos em todo o mundo. A sua foi a maneira mais violenta e cruel de conhecer aquela que ainda é uma das maravilhas naturais do PLANETA TERRA!

Desde o dia que li aquele livro, o primeiro de toda a  colecção publicada, ainda na minha adolescência, não  deixei de pensar no dia que  iria conhecer aquele lugar, longe da África minha. Levou anos sem fim, mas esse dia chegou e aqui descrevo alguns dos momentos mais emocionantes desta minha viagem. Conheci pessoalmente Ferreira de Castro, pouco tempo antes  de morrer, foi meu passageiro de Lisboa para Paris. Entrou no avião pela porta traseira do CARAVELLE, muito tímido e calado. Não queria  apertar o  cinto de segurança, mas  conversei com ele  e convenci-o que era necessário, disse-lhe como os livros dele me tinham influenciado e incutido a "febre" de viajar, a ponto de escolher essa como a minha profissão. Durante  a minha estadia na AMAZÓNIA foram para  ele todos os meus pensamentos nos melhores momentos.

De manhã fizémos uma longa caminhada pelo trilho da floresta, guiados pelo cabloco, guia local, que nos ía ensinando os nomes das árvores, as espécies de plantas, o seu uso na medicina, os benificios para o corpo humano, a idade das raízes  centenárias, a história de toda a selva em toda a sua pujança......sempre acompanhados pelo cantos dos passáros que nos viam lá de cima do topo das árvores, mas teimavam em se esconder......um ou outro macaco também queria fazer parte do grupo na  caminhada, balançava-se  nas lianas e não queriam  descer.....

                                                                                                                                                                
 Regressámos antes do entardecer e fui a correr para o pontão, o local de melhor visão para o marvilhoso espectáculo que em breve iria acontecer - o por-do-sol
na floresta. Acabava de me acomodar, pronta para captar as melhores imagens. eis senão quando oiço uns passinhos surdos e ligeiros. Eram eles, os danados - macacos de  cheiro - de  nome científico - SAMIRI SCIUREUS - ou JURUPARI - são pequenos, ágeis e elegantes, saltam como acrobatas sem rede, voam nos topos das árvores, gostam de trepar por tudo que é lugar e são exímios no pilhar.
Era um jovem macho,de pêlo curto dourado e rabo comprido enrolado, aproximou-se do meu lugar, olhou, mirou com aqueles olhinhos doces pintados de negro, chegou-se um pouco a medo, sorriu com aquela boquinha de palhaço, pulou-me para o ombro, depois para o regaço cheio de ternura e  depois, zás-trás - o ladrão roubou-me a manga da minha mão...o safado, mais  parecia o fantasma da ópera, de mascara branca, todo pintado, mas mais inocente e janota!
abriu a manga, lambeu a polpa com aquela linguinha vermelhinha, sorveu o suco, arrotou e cuspiu e, depois de barriga cheia fez uma cara feia, esticou-se no corrimão e adormeceu como um menino, o garotão....... 
          







       
Lá no fundo, para além da floresta, já o sol descia e o fenómeno acontecia. O céu mudava de cores, de amarelão açafrão ao alaranjado, do carmim  ao vermelhão pimentão, a  selva parecia que ardia e estremecia, como se um fogo violento a devorasse, sem dó nem piedade e um artista  genial a retratasse num fabuloso quadro surreal, mas era só um divino por-do-sol.


A quebrar o profundo silêncio, aquele  momento de pura reflexão, ouviu-se uma estridente gargalhada, era ela a espalhafatosa arara - a CANIDÉ -muito garnizé, vestida de penas azuis, muito galante, no peito um colar cor de oiro, o olho verde grande e brilhante, o bico curvo e duro,  sentou-se ali a ao pé.
 

Por fim aparece o senhor TUCANO, vaidoso e cheio de pose, olho negro arregalado e pintado,  lenço branco ao pescoço, bico longo e grosso, um pouco desageitado, perdeu o pio, o coitado....................


A plateia estava completa , mas lá em cima havia um lugar, no camarote, naquele tronco de árvore, e lá estava outro tucano, todo negro de bico amarelo, o gaiteiro de poleiro banhava-se inteiro com os ultimos raios de sol.



o crepúculo
Mas já o rei-Sol mergulhava para lá da floresta, num segundo desapareceu, caíu como um cometa no planeta e foi engolido pela majestosa selva. Nascía então o crepúsculo, suas cores exóticas tudo invadiram, o céu deu lugar a um cenário perfeito onde o espectaculo acontecia - era a hora de poesia - verdadeiro momento de magia! O palco ali, era apenas um lago consumido pelas labaredas, onde  o fogo queimava mas não ardia, e no ar  a PAZ E A SERENIDADE transcendiam!


PURA ILUSÃO!

Lá bem no fundo do coração daquele lago mágico de águas limpidas e serenas reinavam os perigos e às dezenas habitavam as piranhas devoradoras, as cobras venenosas e os jacarés de dentes finos e afiados, indiferentes  àquele momento e alheios ao mágico espectáculo. Foram só uns escassos minutos de ilusão, mas profundos e  intensos que se registam para sempre na memória e entram no coração.......

A luz desapareceu, reinava o silêncio no negrume da noite, as árvores essas eram fantasmas, como vultos estranhos deslizavam no ar, as  aves voaram, os macacos  fugiram, o cenário sofria, como uma metamorfose serena mas doentia, eu afastei-me lentamente, guiada pelo lusco-fusco que ainda existia, o manto da noite toda a floresta já cobria.
Mas a SELVA AMAZÓNICA essa permanecia  intacta, SOBERBA, ENIGMÁTICA E MAJESTOSA, tal como Ferreira de Castro a amou!


domingo, 28 de novembro de 2010

" O MISTERIOSO AMAZONAS" - O rio mais longo do mundo -

"Gonçalo Pizarro, governador de Quito, partiu do Equador
em Fevereiro de 1541 com o objectivo de  cruzar os Andes orientais e forjar um caminho para o Atlântico através das misteriosas florestas tropicais. Francisco Orellana, outro conquistador espanhol, ficou sabendo dos planos do governador e decidiu acompanhá-lo. A expedição formada por 280 espanhóis e 4000 índios chegou ao final daquele ano na maior penúria. Perto do Natal Pizarro e cerca de 140 homens famintos foram deixados à beira  dum rio. Francisco de Orellana partiu em busca de ajuda. Com um barco e 57 homens  em diversas canoas  o aventureiro seguiu para leste,  quanto mais se aproximavam do Atlântico mais problemas tinham com a animosidade indígena...apesar disso, em 26 de Agosto de 1542 Orellana concluiu a sua jornada, tornando-se  o primeiro homem branco a descer os rios Amazónicos, partindo dos Andes e chegando ao Ãtlãntico."
" A JANGADA- 800 LÉGUAS PELO AMAZONAS" foi escrito por Julio Verne em 1881. Julio Verne considerava a Amazónia um dos lugares mais agradáveis do mundo, embora nunca tivesse colocado os pés na região, nem em qualquer parte do Brasil - o livro conta a viagem fantástica realizada em 1852 pela família de Joam Garral, um rico fazendeiro brasileiro que morava um pouco acima de Iquitos, no Peru e seguiu até Belém do Pará, sempre pelo Rio Amazonas."

Assim começa o livro "A TRAVESSIA DA AMAZÓNIA" escrito por Airton Ortiz, criador do jornalismo de aventura e explorador, aventureiro e fotógrafo, escritor profissional, com 10 livros publicados, jornalista free-lancer, especialiado em reportagens sobre a natureza selvagem. Neste seu livro Ortiz narra a sua viagem do Pacífico ao Atlântico, pelos rios amazónicos, seguindo as pisadas de Francisco de Orellana, vivendo as aventuras de Julio Verne........

O rio Amazonas corre pelo Norte da América do sul, na maior parte em território do Brasil. é o rio mais longo do mundo! Nasce na cordilheira chila, nos Andes, sul do Peru o que lhe dá uma extensão de 7,100kms. O rio nasce com o nome de APURIMAC, a 5,500m de  altitude
no Departamento de Arequipa, descendo as encostas da montanha até unir-se ao URUBAMBA, já nas florestas tropicais. Ao entrar em território brasileiro é chamado de SOLIMÕES ATÉ 30KMS  a  leste  de MANAUS, onde se junta às águas do rio NEGRO e ambos recuperam o seu nome principal O AMAZONAS. Considerados os principais afluentes e trechos navegáveis para embarcações, a bacia amazónica representa uma rede de 25,000kms  de vias fluviais. além  dos rios e  seus afluentes a hidrografia da região reserva os 2 maiores arquipélagos fluviais do mundo - ANAVILHANAS E MARIUÁ.

Na altura de ÓBIDOS-PARÁ o rio AMAZONAS apresenta a sua maior largura com 1.800 kms, mas também ali se regista a sua maior profundidade com 50 metros. Neste ponto sua vasão é de 200 mil metros cúbicos por segundo.

O rio AMAZONAS é uma das grandes atracções da cidade de MANAUS - é também um dos principais meios económicos e de transporte para os habitantes de toda a região Amazónica.

Nas proximidades  de MANAUS dá-se o fenómeno  

 - ENCONTRO DAS ÁGUAS -

As águas barrentas do rio
SOLIMÕES encontram as águas escuras do rio NEGRO. Dá-se a  únião mas não o acasalamento....
as águas não se misturam! O rio agora chamado de AMAZONAS permanece assim numa extensão de 6 kms, lado a lado correm em direcção ao mar.



O rio NEGRO apresenta um elevado grau de acidez com PH elevado, devido à grande intensidade de ácidos orgânicos, provenientes da decomposição da vegetação, daí a sua coloração escura. ele  corre a cerca de 2 kms/hora e a uma temperatura de 22ºC. Entretanto o rio SOLIMÕES corre de 4 a 6 kms/hora e a uma temperatura de 28ºC. Daí o fenómeno de NÃO se misturarem as águas de ambos os rios, pela  diferença na temperatura e  na velocidade.

Na fotografia aérea é bem visível as águas diferentes dos rios no seu leito comum. todo o encontro místico
que envolve este encontro inspirou os índios DA AMAZÓNIA, os primeiros a darem pelo fenómeno e assim criaram as suas lendas que perduram ainda nas suas tribos. É o caso da lenda da noiva LUA e do noivo SOL, se amaram e nunca se casaram, ela chorou e verteu tantas  lágrimas que formaram o rio NEGRO.

Vista aérea 

ORTIS descreve assim a sua chegada a MANAUS:  "Em 1856 nasceu em torno deste local o povoado de - lugar da barra - mais tarde chamada MANAÓS -NOME DA TRIBO INDÍGENA QUE HABITAVA A REGIÃO - a vila cresceu dando origem à actual cidade que se desenvolveu a partir dos seringais. Naquela época, início do século XX, a riqueza gerada pelo ciclo da BORRACHA deixou a capital MANAUS conhecida como "Paris Brasileira".
Muitas das obras monumentais ainda estão presentes no dia-a-dia da grande cidade, como a Alfandega, O Mercado Municipal Adolfo Lisboa, com a sua arquitectura em "Art-Nouveau", expressa nas armações de ferro, o Palácio rio Negro

e a mais esplendorosa de todas as obras da capital - O TEATRO AMAZONAS - em estilo neo-classico

Quando o sonho da borracha acabou  soterrado pelos seringais das colónias Britânicas e Holandesas no Oriente a região do Amazonas caiu na miséria.

Mas o TEATRO AMAZONAS é o grande testemunho desse breve periodo de esplendor vivido pela cidade de MANAUS. O projecto arquitétonico do teatro é da autoria do gabinete Português de Engenharia e Arquitectura de Lisboa e  data de 1833. No salão nobre com caracteristicas barrocas destaca-se a pintura a óleo "A glorificação das belas artes" na Amazónia, de Domenico Angelis. Sob o tecto abobadado estão afixadas quatro telas pintadas em Paris. Do centro pende um lustre com cristais importado de Veneza. Na sala de espectaculos a pintura do pano de palco faz referencia ao encontro das águas dos rios Negro e Solimões..


O sonho da borracha acabou, mas hoje o TEATRO AMAZONAS está mais vivo que nunca e ali decorre o Festival de Jazz em Julho, o film Festival em Outubro , concertos, festivais de Opera, etc......

Sentada na proa do barco que nos levava de regresso ao Hotel em Ponta negra, de olhos fixos no horizonte Amazónico, vivendo assim um sonho de muitos anos, esta visita, eu absorvia a tranquilidade e  o silêncio das águas do rio Negro, tentando desvendar alguns dos seus profundos mistérios, quando ouvi um pouco abafados pelos motores de alguns barcos que passavam,  os sons fortes dum sinfonia poderosa.......a 5º Sinfonia de Beethoven - vinham da cidade, olhei para lá do casario da margem e  vislumbrei a grande cúpula dourada do Teatro amazonas que brilhava sob os últimos raios de sol daquele final de tarde. Ali decorria o ensaio para o concerto da noite. Ao chegar ao Hotel Tropical, por mero acaso conheci o maestro João Carlos Martins, era ele o maestro que dirigia o concerto naquela noite.
Trocámos uma pequena conversa sobre Portugal, ele ficou feliz de saber que eramos portugueses, seu pai era português de Braga.

Vim depois a saber, através da pesquisa na internet, a verdadeira identidade do maestro. Um musico singular e famoso com uma verdadeira lição de vida. (Ver video na mensagem anterior)
Actualmente João Carlos é maestro da Filarmónica Bachiana de São Paulo e dedica-se à formação musical de jovens carentes. Numa entrevista dada a Marília Gabriela n GNT disse-"tenho de decorar todas as musicas, nos ultimos anos foram 10.000, pois  não consigo virar as páginas das partituras" e falou no seu próximo projecto " quero trabalhar com musica clássica nas tribos indígenas", Nessa noite o concerto tinha entrada FRANCA para o povo anónimo da AMAZÓNIA.......


O nosso pequeno barco amazonense deslizava  no rio Negro, passámos debaixo da ponte  nova, a mais cara do mundo, o casario colorido brilhava nas margens ao lado de Manaus, pequenos barcos de tarnsporte de mercadorias passavam  velozes e misturavam nas águas negras as esteiras de espuma branca, mais lentos e airosos navegavam os navios de tres andares de transporte de passageiros que embarcavam  nas povoações ao longo do rio.




Assim nos aproximámos do extremo da cidade, a parte nova de MANAUS, onde abundam os arranha-céus e os hoteis de luxo. Desembarcámos no cais do HOTEL TROPICAL, devido à seca enorme deste ano a altura das águas desceu imenso e o rio deixa a nu inúmeras praias fluviais. Temos de caminhar uns metros até subir a alta escadaria que nos conduz ao ponto normal de embarque. Mas na Amazónia tudo pode acontecer, o imprevisto é a ordem do dia!

O desembarque na PONTA NEGRA

UMA LIÇÃO DE VIDA - História de João Carlos Martins